Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

A Auto-Estima

Muito se fala da auto-estima como um dos principais factores para a felicidade.

Já me pediram várias vezes para falar neste assunto, e embora eu considere que o aflore na maioria dos meus posts, vamos então tratar da coisa oficialmente.

A auto-estima constrói-se logo no início. Logo quando os pais estão presentes e têm orgulho em nós. Quando nos acompanham e riem das nossas graças. Quando nos tratam como um ser humano único e nos fazem sentir únicos. Esta é a primeira fase, que eu tive a sorte de ter, mas que seguramente nem todos tiveram acesso a ela, por isso passemos à etapa seguinte.

Considerando que as nossas vidas estão nas nossas mãos e deixando para trás a infância, entramos na fase da adolescência onde tudo é aparentemente enorme, principalmente as coisas más, e os problemas tomam proporções gigantescas, precisamente por não sabermos lidar com eles. A adolescência feminina é um drama. Ou somos gordas, ou somos magras, ou temos mamas enormes ou somos tábuas de passar a ferro, ou temos borbulhas, ou aparelho nos dentes... enfim, uma infinidade de tragédias sempre prontas a assolar-nos e o pior de tudo, é que ninguém vê a dimensão da coisa. No meu caso, era uma lingrinhas, só tinha pernas, saía ao pai e no ciclo preparatório era mais alta que a maior parte dos professores. Uma aberração portanto!

Como dar a volta à tragédia?

Tinha graça, um cabelo muito bonito, era muito interessada em quase tudo, lia tudo e mais alguma coisa, ouvia programas de rádio, conhecia toda a música possível de conhecer na altura (só havia dois canais de tv e não, não havia internet, pasmem-se!), ia ao cinema, ia às matinées do Rock Rendez Vous. Ou seja, sem ser especialmente interessante em termos físicos, era uma adolescente deveras interessante em todas as áreas que me eram permitidas. Os meus namoradinhos eram giríssimos e cheios de piada, os ídolos da escola, e nem eu própria percebia muito bem como é que eu acabava por ser também um “ídolo”, quando a aparência parecia ser o mais importante. Hoje em dia, percebo. Tudo aquilo que construí, tornou-me única aos olhos dos outros. Era boa aluna, embora uma rebelde de primeira, contestatária, mas cheia de piada. Não digo com isto, que fosse a palhaça da escola, mas lá que era uma caixinha de surpresas, quanto a isso, não há dúvidas.

Os interesses têm-me acompanhado ao longo da vida, e hoje perto dos 40 e olhando para trás, vejo que tenho tido uma vida recheada de acontecimentos absurdos e interessantes que me diferenciaram sempre, e que me deram um toque muito especial.

Preferi viajar a ter um carro, preferi ir para o estrangeiro experimentar coisas e trabalhar lá fora, em vez de optar pela segurança. Conheci gente interessantíssima, importante, convivi com escritores e artistas, sempre sabendo que, embora eles fossem estrelas reconhecidas, eu também cintilava e brilhava sem o ser.

Procurar o nosso brilho, a unicidade que há dentro de nós, é a chave da auto-estima. Enquanto quisermos sermos iguais aos outros, nunca nos vamos conseguir valorizar e é em nós que reside o segredo.

Quando era moda gostar de Fernando Pessoa, eu preferia Mário de Sá Carneiro. Quando era cool andar de jeans eu andava de calças de cabedal. Quando era o máximo ter longos cabelos, eu cortei o meu curto só de um lado.

Não me contento com a mediania. Nunca quis isso para mim. Sou especial, como todos somos. Para isso, basta apenas que paremos para olhar para dentro de nós e procurarmos onde somos únicos. E explorar isso de forma inequívoca.

Este é o meu conselho para 2008. Temos de dar valor ao que temos, ambicionarmos ser melhores e nunca, nunca querermos ser como os outros.

TNT

publicado por TNT às 00:40
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7 comentários:
De Inocêncio da Silva a 27 de Dezembro de 2007 às 13:27
Num tempo não muito distante tentei explicar a um amigo a importância do "amor-próprio" ou "auto estima" e da latente capacidade que cada um encerra em si de o(a) fazer despertar...
Tive alguma dificuldade e confesso que tenho a impressão de ter falhado redondamente, porque só podemos dar a conhecer algo a alguém quando o mesmo é presente em ambas as mentes...o que penso não ser o caso.
A rebeldia do adolescente que teima em ostentar o "Eddie" dos Maiden ao peito ás escondidas do pai, ou a sua recusa em andar atrás de todo o rabo de saia que habitava na vila mostra o desejo de algo mais alem, algo inexplicável...
Quem não conhece essa luz, esse carisma, não o procurará jamais.
Quem nasce com ele no frontispício é abençoado pois no seu caminho as pedras rareiam...
Quem lhe tocou sem que com ela tenha nascido, nem que seja uma só vez, procurará essa pedra filosofal a sua vida inteira, e apesar de muitos não atingirem a notoriedade ou o protagonismo que tu tens, quando entram no café lá da zona todos sabem o seu nome, mesmo que não o pronunciem...
De PINK a 27 de Dezembro de 2007 às 19:17
excelente!
tchim, tchim!
De anikin a 28 de Dezembro de 2007 às 03:20
Ter uma vida própria intensa (os tais interesses) e não depender inteiramente dos outros para nos sentirmos bem, parece-me uma peça chave.

Andar contra-corrente só por andar... é uma forma de afirmação mais corajosa do que seguir a manada, mas ainda é depender da orientação da manada (como de uma bússola que aponta para Sul).

O difícil mesmo é, no meio de todo o "ruído" percebermos quem realmente somos e queremos ser, o que inclui aquele capítulo complicado de responder à pergunta do:
- Qual é o papel que eu quero que os outros tenham na minha vida?

Fazer esta pergunta já é um avanço relativamente aqueles que passam a vida obcecados com qual o seu papel na vida dos outros. Mas a resposta continua a ser difícil de obter.


Depois de descobrir quem queremos ser, é "só" sê-lo!

Mas desconfio que este processo de descobrir/ser nunca está concluído...
De Mr X a 29 de Dezembro de 2007 às 02:22
mhhhhhhhhh
ok, tábem .
De ruben a 30 de Dezembro de 2007 às 20:35
a mediania e a excepcionalidade estão nos nossos corações, tudo o resto não passa de ilusões triviais e por vezes frívolos egoísmos narcisistas que com o tempo se tornam até ridículos. o que sentimos, verdadeiro e profundo, fica para sempre, mesmo que escondido no cofre ou gaveta mais escondida da nossa memoria. feliz ano novo (com toneladas de saúde) beijo
ruben
De Bruno, The Master a 31 de Dezembro de 2007 às 12:59
para um post publicado as 00.40 até nem está mau !
[tá optimo, 5 *]
De blackbird a 5 de Janeiro de 2010 às 15:18
Olá,  Só agora li seu post gostei da parte  em que temos que procurar nosso brio.

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