Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

Ode aos Importantes... porque dos outros não reza a história!

Em altura de balanços acho que devo fazer justiça a algumas pessoas da minha vida que se tornaram especialmente importantes ao longo deste ano.

Homens

Ao M., que sem nada me dizer, tudo me disse ao ajudar-me em tudo. Sei que posso sempre contar com o seu silêncio e enorme vontade de me ver bem. Obrigada.

Ao G., que até saiu da sua concha para estar comigo. Sei o quanto lhe custou e estou eternamente agradecida.

Ao P., que me conhece há mais de 30 anos e nem conseguia acreditar que algum dia me veria assim. Teve primeiro de assimilar o que viu e depois explicou-me que eu era maior que tudo isso e que jamais me deixaria cair. Está a milhares de kms de distância e ainda assim não se esquece de mim. Thanks, my precious and insane friend.

Mulheres

À A., que, mesmo longe, esteve comigo a ajudar-me sabendo que eu estava como nem sabia ser possível. Que se desdobrou para saber como se bloqueava um site que eu teimava que me atormentasse. E conseguiu. E com isso, me fez recuperar mais do que se possa imaginar. Muito obrigada pela ajuda.

À C., que passou tardes comigo a consolar-me do que não havia consolo. Que me abanou para eu acordar. Que me fez ver que há coisas que embora pareçam horríveis, podem ser o melhor que nos pode acontecer na vida. Muito obrigada por tudo.

 

À S., que me trazia sopinhas e livros. Que me falava da fraqueza dos outros que não me mereciam. Que ainda bem que tudo tinha acontecido mais cedo e não mais tarde. Que me tinha livrado de boa. Porque tudo soava a falso ou a fraco. E que eu não precisava disso na minha vida. Obrigada pela pessoa que és.

À X., que sem grandes floreados, mas com o seu sentido prático e louco, me conseguiu fazer rir no meio de uma enorme tristeza, ao sacar de um martelo e de uma chave de parafusos e com mestria de arquitecta, abriu e desfez um sonho que afinal era só meu. Muito obrigada miúda.

À B., que com o seu coração maior que a sua altura de 1,80m me fez ver que eu era maior que a tristeza e que merecia melhor. Que eu sempre tinha sido o apoio para todos e que escusava de continuar a ser a Super-Mulher e que agora era altura de os outros estarem lá para mim. Muito obrigada B.

E finalmente à T.
A T. que se destacou pela sua enorme bondade e vontade de me ver bem. Por vezes, acho até que ela ficou mais infeliz que eu por me ver naquele desespero. Que tudo fez para que tudo se recompusesse e quando viu que já não era possível, tudo tem feito para me elevar ao meu estado normal. Falou com todos os que me podiam ajudar e sei como lhe foi difícil algumas vezes. Que com a sua sensatez me explicou onde eu estava errada. Que com o seu sentido de justiça me disse que também ela se sentiu traída e enganada. E que eu não estava e não estou sozinha na minha dor e que dos fracos não reza a história. Ela foi e é a amiga que todos deveríamos ter a honra e o privilégio de ter. Muito obrigada.

Sou uma sortuda por ter amigos assim.

Mas têm de convir que também têm uma sorte do caraças por eu existir nas vossas vidas!

 

TNT
 

publicado por TNT às 18:41
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

A Auto-Estima

Muito se fala da auto-estima como um dos principais factores para a felicidade.

Já me pediram várias vezes para falar neste assunto, e embora eu considere que o aflore na maioria dos meus posts, vamos então tratar da coisa oficialmente.

A auto-estima constrói-se logo no início. Logo quando os pais estão presentes e têm orgulho em nós. Quando nos acompanham e riem das nossas graças. Quando nos tratam como um ser humano único e nos fazem sentir únicos. Esta é a primeira fase, que eu tive a sorte de ter, mas que seguramente nem todos tiveram acesso a ela, por isso passemos à etapa seguinte.

Considerando que as nossas vidas estão nas nossas mãos e deixando para trás a infância, entramos na fase da adolescência onde tudo é aparentemente enorme, principalmente as coisas más, e os problemas tomam proporções gigantescas, precisamente por não sabermos lidar com eles. A adolescência feminina é um drama. Ou somos gordas, ou somos magras, ou temos mamas enormes ou somos tábuas de passar a ferro, ou temos borbulhas, ou aparelho nos dentes... enfim, uma infinidade de tragédias sempre prontas a assolar-nos e o pior de tudo, é que ninguém vê a dimensão da coisa. No meu caso, era uma lingrinhas, só tinha pernas, saía ao pai e no ciclo preparatório era mais alta que a maior parte dos professores. Uma aberração portanto!

Como dar a volta à tragédia?

Tinha graça, um cabelo muito bonito, era muito interessada em quase tudo, lia tudo e mais alguma coisa, ouvia programas de rádio, conhecia toda a música possível de conhecer na altura (só havia dois canais de tv e não, não havia internet, pasmem-se!), ia ao cinema, ia às matinées do Rock Rendez Vous. Ou seja, sem ser especialmente interessante em termos físicos, era uma adolescente deveras interessante em todas as áreas que me eram permitidas. Os meus namoradinhos eram giríssimos e cheios de piada, os ídolos da escola, e nem eu própria percebia muito bem como é que eu acabava por ser também um “ídolo”, quando a aparência parecia ser o mais importante. Hoje em dia, percebo. Tudo aquilo que construí, tornou-me única aos olhos dos outros. Era boa aluna, embora uma rebelde de primeira, contestatária, mas cheia de piada. Não digo com isto, que fosse a palhaça da escola, mas lá que era uma caixinha de surpresas, quanto a isso, não há dúvidas.

Os interesses têm-me acompanhado ao longo da vida, e hoje perto dos 40 e olhando para trás, vejo que tenho tido uma vida recheada de acontecimentos absurdos e interessantes que me diferenciaram sempre, e que me deram um toque muito especial.

Preferi viajar a ter um carro, preferi ir para o estrangeiro experimentar coisas e trabalhar lá fora, em vez de optar pela segurança. Conheci gente interessantíssima, importante, convivi com escritores e artistas, sempre sabendo que, embora eles fossem estrelas reconhecidas, eu também cintilava e brilhava sem o ser.

Procurar o nosso brilho, a unicidade que há dentro de nós, é a chave da auto-estima. Enquanto quisermos sermos iguais aos outros, nunca nos vamos conseguir valorizar e é em nós que reside o segredo.

Quando era moda gostar de Fernando Pessoa, eu preferia Mário de Sá Carneiro. Quando era cool andar de jeans eu andava de calças de cabedal. Quando era o máximo ter longos cabelos, eu cortei o meu curto só de um lado.

Não me contento com a mediania. Nunca quis isso para mim. Sou especial, como todos somos. Para isso, basta apenas que paremos para olhar para dentro de nós e procurarmos onde somos únicos. E explorar isso de forma inequívoca.

Este é o meu conselho para 2008. Temos de dar valor ao que temos, ambicionarmos ser melhores e nunca, nunca querermos ser como os outros.

TNT

publicado por TNT às 00:40
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