Sábado, 13 de Outubro de 2007

O Brilho

Nos meus tempos de Madrid, acabei por conhecer algumas pessoas fantásticas – portuguesas, claro! – que tornaram menos penosa aquela estadia no país aqui do lado. A I. – minha companheira de hotel, trabalho, aventura e muito boa disposição - tinha uma história absolutamente transcendente de amor. Toda ela brilhava quando falava do seu mais-que-tudo que tinha ficado em Portugal. Ela cintilava, a pele dela irradiava felicidade, e eu, punha-me muitas vezes a pensar, o quão boa poderia ser aquela sensação e o que seria preciso para conseguir aquilo.

Que as pessoas brilham com momentos de felicidade ou porque o seu interior é próprio de uma estrela, isso já tinha visto. Agora, uma pessoa iluminar-se por dentro e por fora sempre que fala de outra, foi a primeira vez que assisti. E confesso que assistia deleitada, não tanto às histórias que ela contava, mas acima de tudo, à forma como as contava.

Não há cremes nem plásticas capazes de dar aquele brilho. Aquele brilho – acredito piamente – só assiste a algumas pessoas. A alguns que se permitem amar sem restrições e que põem essa felicidade acima de tudo.

Às vezes gostava de ser capaz... só para experimentar... só para saber como é...

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Domingo, 3 de Junho de 2007

Sun on the Beach!

Não sei como é convosco mas a praia funciona como um forte afrodisíaco aqui para esta vossa menina. Não sei se é do calor, se da areia, se do sal, se do cheiro dos protectores (sim, porque eu sou branca tipo alforreca) se disto tudo junto. A questão é que funciona como um turn on. E de que maneira!

Há sempre aquele número do “não se importa, passa-me aí o creme pelas costas...?” Ok, eu sei que é uma daquelas pick-up lines vergonhosas, mas pronto... tem de ser! São infalíveis e no saque tudo é permitido!

Sempre ouvi dizer que os romances de verão ficam enterrados na areia. O que dizer dos engates estivais de fim-de-semana? São suficientemente importantes para se erguer um túmulo, uma lápide? Merecem mensagens post-morten?

A mim parece-me que as coisas que surgem assim do calor intenso das praias lusitanas devem esfriar depois de uma bela banhoca e da aplicação do refrescante after-sun..
.

Não há paciência para cremes pegajosos, para homens pegajosos e muito menos no Verão que há tanto para fazer, tanta praia para ir, tanto protector para espalhar....

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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Just Married

Nas minhas viagens diárias para o Estoril no comboio da Linha, atento a um casal novinho de vinte e tal anos. Muito queridos um com o outro, uns olhares de cumplicidade, uma ternura invejável. Confesso que não costumo “comover-me” com estas coisas mas devo dizer que esbocei um sorriso ao verificar que eram casados.

Isto já me move. Ver um par de casados muito ternurentos e com ar de quem se está a ver pela primeira vez. Quase que me faz restaurar a fé na raça humana!

Curiosamente, na volta para Lisboa, torno a vê-los e tornaram a ficar perto de mim. Continuavam com aquele ar de paixão, muito unidos de mãos dadas... De mãos dadas...? De mãos dadas!! É quando verifico, que naquelas mãos dadas, as alianças eram completamente diferentes! Era tudo tanga! Eles afinal eram casados, mas não um o outro!

Fiquei bastante mais descansada... Afinal, eu tenho razão... A raça humana continua na mesma. Sem surpresas. E se durante umas horas andei anestesiada, o universo encarregou-se de me mostrar que o amor é muito mais bonito e cúmplice, se for com outsiders!

Ahah! Já achavam que eu me tinha passado e que agora de repente me tinha dado para o romantismo, confessem...?

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Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

As Pick-up Lines Lusitanas

Nunca vi engate tão rápido e eficiente como nos Estados Unidos. Nova Iorque é a cidade da arte de engatar por excelência. Digo-vos que é óptimo ser engatada por terras do Tio Sam. E eu já corri meio mundo, sei do que falo.

E é óptimo, porque acima de tudo não há dissimulação. Por haver pouco tempo disponível, as pessoas não se perdem em tontices e passam a ser muito mais práticas. Vão ao que querem e toda a gente sabe ao que vai. Estão a ver a coisa, certo?

As pick-up lines são brilhantes. E não sei se é por ser em inglês, parece que soam melhor. Mais descontraídas. Mais fáceis. Mais fluidas. Menos falsas.

Por terras lusitanas, e à força de tanta importação cultural americana, começámos também a tentar enveredar pelo engate fácil. A coisa aqui parece não funcionar tão bem. Porque os nossos tugas não sabem quando parar.

Imaginem o seguinte cenário. A gaja já foi sacada, já trataram do assunto, já estão na fase do cigarrinho, quando ele se sai com uma destas:

“Onde é que andaste este tempo todo?” ou “Nunca senti nada assim... o que é que me fizeste?” ou “Que bom que é adormecer ao teu lado...” ou “És a mulher da minha vida” ou... estão a ver o género, escuso de continuar. E a seguir a uma valente passa pensamos cá para nós... “Este gajo já me sacou, para que é que continua com o raio das pick-up lines? Rio-me? Sorrio? Faço que não ouvi? Ruborizo que nem uma donzela? O que é o gajo quer com esta conversa...? Chiça!!”

As almas mais puras e românticas, imbuídas de grandes sentimentos poderão dizer... “ah e tal, vai na volta o rapaz até está a ser sincero...”

E nós, à força de já termos ouvido todas as pick-up lines possíveis e imaginárias e em várias línguas desde a latina à anglo-saxónica passando pela eslava e cirílica, respondemos como se faz nos States: Bullshit!!

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Sexta-feira, 27 de Abril de 2007

Reality check!

Sou sincera demais. Já percebi isso. Já cheguei a essa conclusão há anos atrás. Mas tenho muitas dificuldade em deixar de ser. E acreditem que já tive mil e uma provas que deveria ser mais contida, mais enigmática, mais misteriosa e mais mentirosa. Mas a coisa para mim não é fácil.

Embora eu pespegue com a informação que considero necessária, quiçá mais do que necessária, aos homens que me rodeiam, eles nunca sabem o que hão-de fazer com ela. Não sei se por ser demais, se por ser demasiado diferente, se por eles acharem que só estou a armar aos cucos e que afinal sou uma sonsa acabada de sair das berças, não sei. Só sei é que digo, que explico, que exponho e nada é apreendido.

Porque eu digo que sou fria e distante. E isto não é apenas uma frase para causar qualquer tipo de impacto junto a um grupinho de góticos pálidos. Eu sou realmente fria e distante! Porque eu tenho sempre muitas solicitações. Eu não digo isto para acharem que sou a maior e toda a gente me quer e tal e tal. A minha vida é um desassossego permanente cheia de acontecimentos e gente all over. E finalmente que vivo rodeada de homens. Acham que digo isto porque me dá um ar irreverente. Fashion. Mas depois a crua realidade é mais dura do que se poderia supor!

O que fazer nestas situações? Dizer menos? Não dizer de todo? Esperar que as pessoas apreendam os meus estados de alma e que vão batendo com a cabeça nas paredes até aprenderem? Não sou adepta desse método. Se existem instrumentos que facilitam a aprendizagem, porque não usá-los?

Se com briefings, as coisas já são difíceis, imaginem o que seria levarem com o impacto da surpresa!

Check, please!

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Sábado, 21 de Abril de 2007

Os Príncipes do Éter

As relações virtuais fascinam-me...
Em tempos apresentei uma amiga a um amigo que vive fora. Eles entenderam-se muito bem durante uns dias, mas depois ele teve de voltar para o outro lado do Atlântico. Porém, a afinidade tinha sido tão grande que acabaram por se corresponder durante meses, entre messenger, mails, telefone, etc. Ele ligava-lhe todas as noites, ela enviava-lhe um mail todas as manhãs. Por manhas do destino acabaram por se afastar. No entanto, aquela relação passada essencialmente no éter, era mais forte e estava mais consolidada do que muitas que conheço por aí.

As relações desenvolvidas neste meio são muito mais genuínas, quanto mais genuínas as pessoas forem. Pelo facto de não haver a barreira física da expressão menos feliz ou de um olhar mais crítico, a facilidade da aproximação é deveras atraente. Conseguimos falar de tudo e mais alguma coisa, confessar os nossos receios e fraquezas, porque na verdade, temos sempre a secreta esperança, que aquela pessoa não existe. É apenas um reflexo daquilo que gostaríamos de ter. Nunca a vimos, nunca lhe sentimos o calor ou o cheiro da pele e no entanto está mais próxima de nós e da nossa alma do que alguma outra poderia estar, aqui mesmo ao lado.

A dependência, o hábito e o vício da palavra tornam-se parte integrante das nossas vidas. A partilha da métrica silábica e dos estados de alma no ciberespaço, necessária. E a ressaca da ausência, pesada.

Como diz a letra “A desejar o que não tive, agarrado ao que não tenho*...

Será possível sentirmos falta do que nunca tivemos? Será legítimo ter saudades do desconhecido?  E a intensidade do desejo, será que se desvanece com o conhecimento?

Talvez o melhor, seja o permanente adiamento do encontro. Sem desilusões, sem expectativas goradas. Príncipes e princesas encerrados em torres de chips, motherboards e cristais líquidos.

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* Não Sou o Único - Xutos & Pontapés
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

Uma História de Amor...

(resposta a um desafio interessante...)

- Pode arranjar-me um upgrade? É que não me ajeito a comer de pauzinhos...
- Não me digas que ainda não aprendeste? Oh Ana... tão moderna tão sofisticada e é isto...!
- Não aprendi nem aprendo! Quero lá saber disso... e depois já tenho pauzinhos na minha vida que cheguem!
- És uma louca e nunca te ficas. Por essas e por outras é que gosto tanto de ti...
- Oh Zé Pedro, sabes bem que tenho umas mãos que parecem uns pés, não tenho jeito nenhum para “lavores”. Foste tu que me ensinaste a fazer laços direitos, lembras-te?
- Claro que me lembro, nem queria acreditar... eras mesmo pequenina. Tão querida, tão gira, tão esperta e viva e tão ingénua e ávida ao mesmo tempo... E eu, dei cabo de ti, estraguei-te, dei-te cabo da vida...
- Não deste nada, deixa-te disso. O que fizeste foi esclarecer-me. Foi abrir-me os olhos logo cedo. Assim poupaste-me a bastantes dissabores, acredita, e quem sabe a alguns divórcios! Fizeste-me ver que o amor é bom, desde que não se ame. Mostraste-me que a desilusão é sempre grande quando se espera muito. Não vejo nada de mal nisto...
- Sim, mas nunca mais amaste... nunca mais te deste...
- Ok, é verdade, mas isso não é necessariamente mau. É verdade que depois de ti, construí um bloco de gelo à volta do músculo cardíaco. Indestrutível até hoje, mas...
- ...mas isso é muito mau, não percebes? Eu cortei uma parte da tua vida que tu devias ter vivido na plenitude.
- Para amor, chegou-me o teu. Foste o meu príncipe. Não encantado, porque não acredito em contos de fadas. Mas um príncipe, na mesma...
- Então porque é que nunca quiseste casar comigo??
- Porque gostavas demasiado de mim... e porque gostava demasiado de ti...
- Desculpa?? Não percebo!...
- Eu sei que não percebes. Gostavas demasiado de mim para perceber. Tu sempre disseste que eu te ia deixar. Quanto mais não fosse, por causa da nossa diferença de idades. E talvez tivesses razão. Ou talvez eu não seja mulher para casar. Ou talvez eu não merecesse o teu amor. Ou talvez eu te respeitasse demasiado para considerar o teu pedido! Já pensaste que nunca me quis casar contigo, por te admirar demasiado? Por te respeitar como nunca respeitei nenhum homem...? (nem voltei a respeitar, agora que falamos nisso). E sabia que te iria fazer sofrer mais tarde ou mais cedo, enquanto gostasses assim de mim. Sei lá, olha nunca sei muito bem quando penso nisto. E quando me perguntam nunca sei muito bem o que responder. Mas vivemos uns anos fantásticos! E é preferível termos estas recordações, não te parece? Por isso, agora podemos estar aqui de mão dada, em vez de nos olharmos de lado quando nos cruzamos na rua. Muito melhor, mais civilizado, mais primeiro mundo, definitivamente!
- Nem nunca tive a noção que tinha sido o teu “príncipe”...
- Pois é, fica sabendo que foste. Tens um pódio só teu. Não estás em primeiro nem em segundo lugar. Estás sozinho nesse pódio e por isso nunca serás destronado. Hein, já viste a tua sorte?
Humm... este sashimi está divinal, não achas? Está mesmo a saber-me bem!
- Não mudes de assunto... se bem que, estou sem palavras...
- Nesse caso... vamos apreciar estas iguarias nipónicas e sonhar que estamos em Tóquio. És um chato! Nunca quiseste viajar comigo... só querias era freakalhices de caravanas pelos campos fora, e as estrelas e mais não sei o quê... e eu em Nova Iorque alone by myself! O que eu queria era néons e monóxido de carbono e tu só me falavas dos encantos telúricos. Seeeca!
- Era o amor! Ali a dar-me forte e feio!
- Ai Zé Pedro isso não era amor, era uma chatice, tem paciência...
- Só tu é que me dizes essas coisas. As outras ficam todas contentes!
- És um palhaço... Não me venhas falar das outras! Não há comparação sequer, hello?? Achas normal estares a falar das outras nesta altura do campeonato? Ou já te esqueceste porque é que nos separámos...? Eu não! Não me irrites que fico cheia de azia!
- Oh Anita, não era nesse sentido, não fiques assim... Mas tens razão, não torno a dizer estes disparates...
- Acho bem... tenho pouca paciência para parvoeiras.
- (...)
- A verdade é que me consegues enervar como ninguém. E magoar também. Se outro qualquer me falasse assim, entrava-me a 100 e saía a 200. Contigo, fica cá e dói e mói e corrói. Tu nunca terás a noção, nunca! Sempre disseste que eu era fria e distante e dura e sei lá mais o quê, mas nunca percebeste que era para me proteger. Eu tinha de me proteger. Senão, não sei o que seria de mim... Que merda! Não me apetecia nada estar a recordar estas coisas, que chatice. Nem devíamos ter vindo jantar, é sempre a mesma coisa! Tu não resistes e eu não suporto...
- Pois... eu fiz-te mesmo mal. Ao fim destes anos todos e ainda ficas assim.
- É verdade, sim! Fizeste! Pronto, fizeste! Está feito! Mas temos de ver o lado positivo da coisa. Se não fosses tu, provavelmente eu não escreveria a cascar nos homens! Não teria nada para exorcizar! Assim como assim, vou divertindo e acalmando algumas almas mais inquietas! Temos de tentar sempre tirar o melhor partido das situações, sí cariño?
- Pronto! Concedo!
Café, vais querer?
- Eu passo-me contigo realmente... Ao fim de quase vinte anos e não sabes que não bebo café? Só ao estalo!
- É para te irritar... tontinha!
----
- Brrr está imenso frio cá fora. Vamos embora, também já é tarde. E estou gelada, chiça, está mesmo frio!
- Anda cá que eu te aqueço...
- Bom, já estivemos a falar melhor... mas estou mesmo gelada, dá cá o braço vá, que assim não se vão as virtudes!
- Sabes que és a mulher que qualquer homem sonharia ter ao lado...
- Sabes que és o homem que qualquer mulher sonharia ter ao lado...
- Amo-te...
- Eu também...
- Fica bem. Cumprimentos ao Miguel...
- Tu também. Cumprimentos à Joana...

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Sábado, 14 de Abril de 2007

Aaaaai a p*** da minha vida!

Ontem, em mais uma noitada, depois de um jantar com uma amiga de sempre, flirt q.b. no restaurante (quando nos juntamos não resistimos), ir ter com mais amigos ao La Moneda, fui finalmente ao meu bar de sempre.

Uma vez lá e depois de uma série de fait divers e de umas quantas sms revitalizadoras, reencontro um velho amigo do meu universo de jogos. Falamos de relações passadas e presentes. Ele diz que eu sou doida, rimo-nos durante um bocado e pergunta-me se já conheço a casa de um amigo comum, que é muito gira e tal. Digo-lhe que não, que não conheço e que dificilmente irei conhecer. Que a namorada dele me odeia, já se sabe como é...

Ele concorda, diz que a ex-mulher dele também me odiava. E acrescenta neste tom: tu és como nós, comportas-te como nós, mas és muito feminina. Elas não suportam isso. Passas tantas horas como nós a jogar, gostas de coisas que mais nenhuma mulher gosta e tens os mesmos problemas com os homens que nós temos com as mulheres: não tens pachorra para parvoíces, não lhes dás a atenção que eles querem ou precisam, sais com os teus amigos sem eles, fazes coisas estranhíssimas, deixas os gajos agarrados porque te apetece viajar sozinha, and so on...

Eu fiquei estarrecida. Lendo aqui preto no branco (estou a escrever no word) consigo ver que tudo isto é verdade... e muito mais. Mas ouvir estas coisas todas de uma vez da boca de um amigo homem, é um bocadinho constrangedor. Não me parece que as características apontadas sejam tipicamente masculinas. Tenho a certeza que outras mulheres têm este tipo de problemas e preferências, mas...

Querem lá ver que tenho aqui o cromossoma Y a espreitar? Ou serão eles que estão a ficar desmesuradamente mais femininos?

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Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

Sem complicações

Dizem por aí que o grande interesse está na conquista. Que essa é a parte mais estimulante. Que é o que dá pica.

Confesso que não sei do que estão a falar. Nunca passei por isso.

Por sorte ou por azar, ou por manhas do destino, sei lá eu, nunca tive essa experiência. Não gosto de esperar, nunca gostei, e as manias com a idade têm tendência a refinar. Sou uma pessoa impaciente por natureza e essa é a minha mais gritante característica. Para o bem e para o mal!

Os tempos do engate, os timings dos telefonemas, tudo isso me confunde. Nunca esperei para ter alguém. As coisas para mim costumam ser fáceis. Provavelmente porque não complico!

Noutro dia uma amiga dizia-me “tu não tens a noção do que é lutar por alguém, ganhar alguém e muito menos perder, nunca perdeste não sabes o que é isso”. Tudo isto é verdade, mas sinceramente começo a achar que as pessoas à força de quererem ser tão especiais e diferentes, se esquecem do que realmente querem e precisam. E perdem-se nos meandros das regras, nas malhas do engate institucionalizado.

Se quero alguém, explico-me! Não me ponho com parvoíces de esperar pelo socialmente correcto telefonema e só responder passadas umas horas. Ou de me fazer de difícil, tipo donzela do século XVIII perdida no countryside inglês. O hard to get pode até ser uma técnica ancestral para quem pretenda casar. E para as outras como eu, que não querem?

Honestamente prefiro a minha versão. Sem complicações. À distância de um clique, dum sms ou de um estalar de dedos...

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Quarta-feira, 14 de Março de 2007

Lá vem ela, sabendo que é linda...

(Exercício de Escrita. Tema: Personagem. Curso de Escrita, 2006)

“É linda!” – Desce as escadas saída da casa-de-banho onde esteve a pôr o gloss. Penso em que idade é que terá, e assusto-me com a ideia de que possa ser menor. Não me posso meter numa cena dessas... Hoje em dia, um gajo nunca sabe. Mas não pode ser! É tão gira, tão cheia de graça, está mesmo lá. Sabe sempre o que dizer, o Paulo até disse que ela era esperta demais. Não... deve ter uns 23, 24...

Lá vem ela...
Agita aqueles cabelos compridos que cheiram sempre a qualquer coisa como framboesa, tipo aqueles iogurtes de frutos silvestres da Adágio. Até apetece comer... Oh diabo! Parou... está a falar com aquele gajo que organiza os cruzeiros para Ibiza. Consigo ver a mão dele nas costas nuas dela. Quem é que a manda sair com aqueles tops sem costas? Só atados ao pescoço e com um trapinho à frente... Que chatice! Anda lá, larga esse gajo! Não vês o que ele quer? A minha menina não pode ir para Ibiza, nem pensar! Aquilo é só gente passada... Vá lá, vem mas é para aqui para ao pé de mim e deixa-te de te armares.

Largou-o...
Agora vai para a pista dançar, está a tocar a música preferida dela... Sign your name across my heart; I want you to be my baby... Que bem que dança, com uma suavidade, enquanto canta de olhos fechados. Sei que pensa em mim... E eu penso nela. Balança devagarinho e a saia curta movimenta-se de um lado para o outro, mostrando aquelas pernas até ao pescoço. Como é que ela consegue aquela suavidade toda com aquelas botas altas calçadas? Mas ficam-lhe mesmo a matar.

Acabou a música...
É agora... É agora que vem ter comigo, já não era sem tempo. Mas eu tenho de perceber, ela é mesmo assim. É a rapariga mais gira de Lisboa. Mais requisitada. E é minha! Sou um gajo cheio de sorte. Se fosse outra qualquer, queria ser modelo ou actriz. Mas ela não. Ela quer outras coisas. É mais ambiciosa. Quer ser jornalista e fazer aquelas grandes reportagens em cenários de fome e guerra. É assim a minha menina. Muito melhor que as outras todas.

Aí vem ela...
Preparo-me para a abraçar. Não... talvez não seja boa ideia. É melhor manter um ar cool, não vá ela pensar que me tem na mão. Vou fazer que não é nada comigo. Aproxima-se. Debruça-se no balcão e está quase em cima de mim. O decote descai um bocadinho. Já consigo sentir aqueles cheiros todos.

- Olá boa-noite... Queria um vodka limão por favor... Com uma palhinha, para não gelar os dentes!

Estremeço mas tento não mostrar. Que voz! Parece a Sharon Stone.
Trato da bebida e ofereço-lha. Ela agradece e aí vai ela outra vez para o meio da confusão.

O Paulo vem ter comigo enquanto limpa um copo,  – Pois é pá, tens razão. Ela vem sempre a ti pedir as bebidas. Deve andar aí a rondar. My man, gimme five!!!

Eu sabia, sabia que ela era minha. Não posso é dar parte fraca.
Daqui a um bocado está cá caída outra vez, vão ver. Ela não resiste.

TNT
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